Um Banho de Sol para o Brasil
Para investigar as barreiras ao desenvolvimento do mercado de aquecedores solares no Brasil, e para desenhar e implementar alternativas de superação dessas barreiras, o Instituto Vitae Civilis – com financiamento do Blue Moon Fund (BMF) – vem desenvolvendo desde 2004 o projeto “Mudando o curso do uso doméstico de energia: ações para a promoção do mercado de coletores solares e de políticas públicas pela energia sustentável” apelidado também de “Um banho de Sol para o Brasil”.
A motivação para o desenvolvimento do projeto partiu das seguintes constatações:
- Que o uso de chuveiros e aquecedores de acumulação elétricos representa cerca de 8% do consumo brasileiro de energia elétrica, sendo os chuveiros responsáveis por 18% da demanda de pico do sistema;
- Que a geração de energia para suprir esse consumo tem sido feita principalmente por meio de empreendimentos hidrelétricos que pressionam fortemente a biodiversidade e o mundo natural, além de deslocar grandes contingentes populacionais, e que a expansão do sistema de geração tem sido pensada em termos de investimentos em mais projetos hidrelétricos de grande porte e em termelétricas a gás - e a carvão mineral –, que aumentarão as emissões de carbono para a atmosfera, contribuindo para as mudanças climáticas, além de aumentar a poluição e a incidência de doenças consequentes;
- Que a tecnologia de coletores solares não consegue ‘decolar’ no país, apesar de apresentar amplas vantagens ambientais, econômicas e sociais.
A partir dessas constatações, o Vitae Civilis buscou, na primeira fase do projeto, identificar as barreiras para a difusão em larga escala da tecnologia termossolar e as possibilidades de superação desses obstáculos. Para isso foram levantadas hipóteses de trabalho sobre essas barreiras, identificados os atores institucionais relevantes e buscadas as opiniões de pessoas que pudessem caracterizar a visão dessas instituições, por meio de entrevistas abertas realizadas em profundidade. Numa segunda fase, e com base na sistematização da pesquisa e no diálogo com esses atores, foram construídas participativamente estratégias de superação das barreiras à tecnologia.
Atualmente, o Vitae Civilis colabora com a implementação dessas estratégias porque concluiu que interessa à sociedade brasileira desenvolver um grande mercado para aquecedores termosolares dadas as vantagens socioambientais da tecnologia, advindas do deslocamento da hidroeletricidade na matriz energética, na geração de empregos qualificados e na redução de recursos para investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.




